- Quando: 6 de agosto de 2023
Tenho de começar este texto com um <em>disclaimer</em>: eu não percebo de cinema, muito menos de cinema francês, mas vou ter mesmo de fazer estas comparações de forma a poder explicar o que achei do livro e a forma como o interpretei. Se disser asneiras… perdoem. Não sou cinéfila, mas <em>Domingos de Agosto</em> só me fez lembrar filmes.
Domingos de Agosto é um mistério. Não há outra forma de o dizer. É um mistério perceber o que está a acontecer. O livro faz uma viagem inversa e, quando começa, já sabemos que o narrador fugiu com Sylvia, mas que talvez Sylvia tenha desaparecido ou fugido ou morrido. Tudo o resto é confuso. Não dá para saber à partida o que está a acontecer: o que significa o colar gigante que Sylvia carrega, quem é Villecourt, quem é o casal americano… só questões.
Éramos como toda a gente, nada dos distinguia dos outros, nesses domingos de agosto.
Tinha alguma curiosidade em ler Patrick Modiano, Nobel da Literatura em 2014, mas não sabia ao certo o que esperar porque a minha experiência com literatura francesa é pouca. Para começar, as primeiras referências que me vieram à mente nos primeiros dois ou três capítulos não eram realmente francesas, mas americanas. Todo o momento em que o narrador conta como ele e Sylvia conheceram os Neal, o casal americano, deu-me ares de anos 20 e, por isso, só conseguia pensar em The Great Gatsby e no Midnight in Paris. Foi complicado tirar estas imagens da cabeça, por isso acho que acabei por imaginar a Sylvia como se fosse a Marion Cotillard. Todo o pouco que sei sobre cinema (francês ou passado em França) veio constantemente à memória enquanto lia, algo que não me acontece muitas vezes.
Apesar deste reconhecimento cinematográfico, confesso que li as primeiras 30 ou 40 páginas sem saber se ia mesmo continuar o livro. Não é o meu tipo de história e é uma escrita um pouco diferente do meu habitual. No início não tinha qualquer interesse em perceber o que estava a acontecer, sinceramente, e custou-me entrar na história. No entanto, perto do final algo mudou. Não adorei o livro, mas gostei da forma como o autor juntou as pontas no desenlace, algo que me fez gostar mais do livro do que inicialmente achei que iria acontecer.
<a tabindex="0">mais sobre o livro</a>
<p>Título original: <em>Dimanches d’août</em><br />Título em português: <em>Domingos de Agosto</em><br />Autor: Patrick Modiano<br />Ano: 1986 (PT: 2014)
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