Quando lhe perguntei por que motivo o American History X, em português: América Proibida, era um dos filmes preferidos dele, ele respondeu apenas: vê o filme. Eu, como pessoa interessada em tentar compreendê-lo e conhecê-lo melhor, acedi e pedi apenas que, no final, ele me explicasse porquê. No final, não precisei. No final, chorei tanto e tirei tantas conclusões sobre o filme que não precisava de saber muito mais; só queria conversar sobre o que tinha visto e pedir a toda a gente que visse também. Por isso, três meses depois daquela manhã de 28 de Abril, venho tentar convencer-te a ver este filme que me fez chorar horrores e que levou 10 estrelas no IMDb sem qualquer hesitação.
Trigger warnings:
racismo; nazismo; linguagem explícita; violência
<h2><i>American History X</i>: a desconstrução da crença</h2>
<p>Se tivesse de definir <i>American History X</i> de uma forma simples e directa acho que diria que é um filme sobre aquilo em que acreditamos e sobre como essas crenças podem ser, muitas vezes, desconstruídas ao ponto de nos mostrarem que, afinal, acreditávamos na coisa errada. Isto reflecte-se no filme através da relação entre os irmãos Derek e Danny Vinyard.
Danny tem em Derek o seu grande exemplo e figura paterna, visto que o pai de ambos foi morto a tiro por um negro. Enquanto estudava, Derek estava a abrir a mente ao mundo e o pai incentivou-o a ver o mundo de uma forma mais negativa e, com a morte do pai, o seu exemplo, Derek desenvolve um ódio profundo à comunidade negra e junta-se a um grupo de skinheads. Derek acaba por ser preso por homicídio e a estadia na prisão obriga-o a reavaliar as suas crenças. Quando é libertado, Derek tenta impedir Danny de desenvolver o mesmo ódio que ele próprio sentiu.
spoilers ahead
<h2>A mudança paga-se cara</h2>
<blockquote><p><em>Life's too short to be pissed off all the time...</em></p></blockquote><p>A forma como Derek começa a desconstruir aquilo em que acreditava antes de ser preso é, para mim, um momento profundamente bonito e enriquecedor em todo o filme. Primeiro porque percebemos que ele sempre teve disponibilidade mental para se abrir ao mundo. Depois porque esta abertura surge na prisão, onde ele começa por ser admirado por <em>skinheads</em> mas, depois, torna-se amigo de um negro e isso muda tudo, ao ponto de ele acabar por ser brutalmente agredido graças a isso.
Depois, claro, há o final. O final… bem, nós vamos caminhando para lá e percebemos que algo vai correr muito mal, mas é um final tão brutal, tão doloroso. Chorei durante meia hora, fiquei profundamente afectada por aquilo que vi. Durante todo o dia, não conseguia parar de pensar no que tinha visto. Na forma como o pai fechou por completo as portas do mundo ao Derek quando ele estava a falar sobre o Native Son, o livro do James Baldwin. Em como as nossas crenças podem facilmente ser questionadas e reconstruídas, mas não conseguimos salvar toda a gente.
Em Portugal, o filme está disponível na HBO Max ou através de compra ou aluguer no Youtube. É um filme muitas vezes duro, mas acredita que aquilo que tem de duro também tem de bom.
Título original: American History X
Título em português: América Proibida
Elenco: Edward Norton, Edward Furlong
Realizador: Tony Kaye
Guião: David McKenna
Ano: 1998
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