em viagem pela europa de leste [gabriel garcía márquez]

O meu lugar preferido do mundo para estar é entre palavras.

Bem… entre palavras e entre o Douro e a Circunvalação.
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em viagem pela Europa de leste Gabriel Garcia Marquez
opiniões literárias

No final de Setembro de 2021 passei uma hora na Fnac da Rua de Santa Catarina, no Porto, a folhear livros de viagens. Precisava de escolher o tema do meu trabalho de Literatura de Viagens, tema que tinha de apresentar no início de Outubro, e estava sem ideias. Comprei um livro aleatório, O Mundo — Modo de Usar, mas soube que não ia usá-lo para o trabalho assim que me lembrei de que o livro certo vinha de uma escolha óbvia: Em Viagem pela Europa de Leste, um livro que junta o jornalismo e a literatura de viagens de uma forma magistral, como só Gabriel García Márquez saberia fazer. Claro que tinha de incluir Gabo nos meus ensaios.

Quando comecei a ler García Márquez, ainda adolescente e a sonhar ser jornalista e escrever, senti-me logo próxima da escrita dele muito por ele ter um currículo impressionante como jornalista e, além disso, ser um escritor fabuloso. Acho que foi esta proximidade que o fez tornar-se o meu escritor preferido. Ainda tenho muito dele por ler, mas Em Viagem Pela Europa de Leste permitiu-me um contacto ainda mais direto com o Gabo-jornalista, que se mistura tão bem com o Gabo-escritor.

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racismo e discriminação

Em Viagem pela Europa de Leste: para lá da cortina de ferro

Embora pareça que a viagem relatada acontece de seguida, as crónicas de viagem que García Márquez acontecem em alguns momentos diferentes ao longo dos anos da década de 1950 em que o escritor colombiano viveu na Europa. Vamos a um resumo da História mundial dessa época: na Europa estamos em plena Guerra Fria, com a Europa dividida com o muro de Berlim Se a Rússia te parece inacessível agora imagina naquela altura! Na Colômbia vivia-se em ambiente de guerra, com Rojas Pinilla a levar a cabo um golpe militar em 1953. Como persona non grata do governo, deixou de ser seguro para García Márquez continuar a ser jornalista na Colômbia. É assim que o escritor chega à Europa em 1955.

A estadia na Europa não é simples e o próprio Gabo conta as dificuldades financeiras pelas quais passava, o que o motivou a procurar estas viagens: começa pela Alemanha (de Leipzig, a Frankfurt, finalmente chegando a Berlim). De regresso a Paris, onde estava na altura, surge a oportunidade de visitar Moscovo. A viagem para Moscovo faz-se de comboio e começa em Berlim, de onde segue para Praga, Bratislava, Chop e Kiyv*, até chegarem a Moscovo. Além de Moscovo, o grupo em que o escritor seguia visitou ainda a Volvogrado e, no regresso, Budapeste.

é evidente que a Checoslováquia e a Polónia são os únicos países socialistas que têm os olhos voltados para o Ocidente. A primeira com muito tato em relação aos soviéticos, negociando à direita e à esquerda. […] A Polónia, em contrapartida, volta-se para o Ocidente à bruta, disparatando contra os russos aparentemente com um objetivo puramente cultural.

        <h2>Um contexto de leitura interessante</h2>        
    <p>Tendo em conta o contexto histórico em que a obra se insere, é muito interessante ter uma perspetiva estrangeira destes países que viviam em regimes altamente repressivos. Mesmo que possa haver momentos de questionamento sobre o quanto a versão apresentada por García Márquez está ou não inviesada — o escritor era assumidamente comunista —, também é inegável o contributo histórico e jornalístico que nos proporciona um livro destes. Além disso, no contexto da Literatura de Viagens, é um livro que permite analisar as fronteiras ténues entre literatura e jornalismo, algo que me diverti muito a fazer enquanto escrevia o ensaio para o mestrado.

Depois há, ainda, outro contexto interessante para a forma como este livro se encaixa nas minhas leituras de 2022. Li e reli o livro em janeiro, com análise incluída, pesquisa histórica para confirmar os factos que eu achava que sabia sobre aquela época e uma escrita intensiva de quase 6000 palavras de ensaio. Entreguei o ensaio cerca de um mês antes de começar a guerra na Ucrânia. Quando a guerra começou e os telejornais se encheram de especialistas na história da ex-URSS, na minha mente surgiam vários excertos do livro e da pesquisa que fiz posteriormente. Não é que Em Viagem Pela Europa de Leste seja um livro de História, mas ter-me dedicado a ele semanas antes de ser necessário compreender a História da Europa de uma forma mais exaustiva foi, sem dúvida, uma experiência muito mais valorizada.

* ao contrário do que fiz no ensaio que escrevi, optei aqui por escrever o nome da capital ucraniana de acordo com a grafia do país e não com a grafia “Kiev”, que vai ao encontro da forma russa de dizer e escrever o nome da cidade.

Outros livros do autor

Sempre que me perguntam que livro de Gabriel García Márquez ler eu recomendo o meu preferido: Crónica de uma morte anunciada.

Se gostaste deste, vais gostar de…

No ano publiquei um desafio que fiz a mim própria com 5 livros do autor que quero ler antes dos 30 (ainda não li nenhum, oops) e sugeri 5 livros dele que podes ler também: 5 livros de García Márquez para ler antes dos 30.

mais sobre o livro

Título original: De viaje por los países socialistas // De viaje por Europa del Este
Título em português: Em Viagem pela Europa de Leste
Autor: Gabriel García Márquez
Ano: 1978 (reedição de 2015, edição portuguesa da Dom Quixote é de 2017)

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  1. Se já acrescentei este livro à minha lista de desejos? Acho que nem preciso de responder :p ahahah sinto que tenho mesmo tudo para me conquistar!

    Adorei as mudanças de visual *-*

    • Conselho: acrescenta todos do Gabo à tua lista! Digo isto sem ter lido metade, mas acho que vale a pena arriscar! ahahahahah

      Obrigada!!! Andei a brincar e gostei desta versão!

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