coisas não relacionadas com a escrita que me ajudam na escrita

O meu lugar preferido do mundo para estar é entre palavras.

Bem… entre palavras e entre o Douro e a Circunvalação.
Gosto de batons, de cães e de incluir referências a Taylor Swift em qualquer conversa. 

Sabe mais sobre mim aqui.

escrita

Andava há umas semanas a pensar na escrita para lá da escrita. Não era algo que planeasse desenvolver ou que achasse que iria sair dos meus pensamentos. Era a simples constatação de coisas óbvias — o tempo, o espaço, as conversas. Nada que achasse necessário desenvolver noutro lugar para além do espacinho que ocupavam na minha mente. Contudo, tenho andado numa missão de limpar algumas notas que fui guardando, ao longo do tempo, no Whatsapp, no Notion ou nos marcadores do Safari, o que me fez cruzar com um artigo do The Writing Cooperative, que devo ter guardado mais ou menos na altura em que foi publicado. Curiosamente, o artigo ia parcialmente ao encontro daquelas pequenas constatações que andavam a ocupar-me a mente.

Com o título The Non-Writing Skills You Need to Be a Successful Writer, este artigo começa por fazer uma comparação entre ser escritor e ser atleta e, para quem me acompanha regularmente, isto já diz muito: é a comparação que mais faço, sem qualquer dúvida. Acredito que haja, até, quem revire os olhos sempre que eu começo a frase escrever é como fazer exercício. No entanto esta comparação surge também porque os atletas precisam de outras competências para lá das competências físicas e das habilidades inerentes ao desporto que praticam e o mesmo acontece com os escritores.

Tendo em conta que o artigo é escrito por alguém que trabalha em content writing, as competências não relacionadas com escrita destacadas no artigo vão ao encontro desse tipo específico de escrita e são: gestão de tempo, comunicação, pesquisa, competências informáticas, iniciativa e disponibilidade para aprender.

Na escrita de conteúdos, acho que são, de facto, competências importantes, mas tenho andado a tentar não segmentar tanto as ideias que tenho sobre escrita, de forma a não separar tanto a escrita de conteúdos do trabalho, dos conteúdos que faço há anos e a ficção, e fiquei a pensar em quais seriam as competências não relacionadas com escrita que eu destacaria como mais importantes para a minha escrita — nos conteúdos do trabalho, nos conteúdos digitais, em ficção e por aí. Cheguei a algumas conclusões semelhantes às do artigo que li, mas também percebi que há outras coisas que considero fundamentais para a minha escrita.

Coisas não relacionadas com a escrita que me ajudam na escrita (sem qualquer ordem)

Gestão de Tempo e Disciplina

Tudo começa aqui. Se trabalhamos com escrita e temos prazos a cumprir, é fundamental sabermos gerir o nosso tempo e conhecermos o nosso processo de forma a nos conseguirmos organizar da melhor forma. Claro que isto nem sempre é tão fácil de determinar como parece à primeira vista. Um tema mais complexo ou sobre o qual não temos o mesmo nível de conhecimento pode tomar-nos mais tempo na pesquisa e, posteriormente, na escrita. É algo que me acontece constantemente no trabalho (sou gestora de conteúdos e, de forma resumida, a maior parte das tarefas que tenho são de escrita de conteúdos): começo a trabalhar um tema e percebo que vou demorar mais tempo a compreendê-lo do que achava que iria demorar e, por isso, também vou demorar mais a escrever. No entanto ter uma ideia geral do tempo necessário para trabalhar em certos conteúdos acaba por ser fundamental neste tipo de trabalhos e, por conseguinte, obriga a que exista uma boa capacidade de organização e de gestão de tempo.

Mas, claro, mesmo fora da vertente profissional, se falarmos de escrita para os nossos projetos, a gestão de tempo é muito importante para a escrita, principalmente quando aliada à disciplina. É muito fácil, numa semana de trabalho, com a vida a acontecer, perceber que o tempo não dá para tudo. É certo que muito da vida implica escolhas e, por vezes, é preciso abdicar de umas coisas em detrimento de outras e a escrita acaba por ser, muitas vezes, aquilo que fica para trás. É aqui que a disciplina se torna a parte mais importante da escrita. É a disciplina que vai lutar contra o cansaço e contra as desculpas e que vai fazer com que seja possível arranjar sempre um bocadinho para escrever. Não é fácil — e é algo que tem muitos altos e baixos —, mas, no final do dia, o tempo e a disciplina vão ser os alicerces mais importantes da escrita.

Curiosidade

Eis um fun fact sobre mim: quando tenho de falar das minhas qualidades menciono sempre a curiosidade. É algo que, desde sempre, me definiu e acabou por definir muito do meu percurso de vida até ao momento. Mais do que ter capacidade de pesquisa ou vontade de aprender, para mim sempre foi uma questão de curiosidade. Interesso-me pelos mais variados temas e, mesmo que não pretenda saber muito sobre um assunto, gosto de pelo menos saber de que trata cada coisa.

A curiosidade já era algo que achava fundamental quando fui estudar Jornalismo, mas percebi, ao longo do tempo, que é fundamental para muito da vida. É a curiosidade que nos vai motivar a querer saber mais sobre determinado assunto, que nos vai incentivar na pesquisa, na aprendizagem e até nos pontos de partida para a escrita. Seja em cursos online, em podcasts ou em artigos de jornais, revistas e de plataformas digitais, esta curiosidade pelo mundo faz-nos bem, ajuda-nos a ganhar mundo, dá-nos novas perspetivas e dá-nos mais sobre o que escrever.

Exercício físico

Podia começar por justificar esta escolha pelo lado óbvio: fazer exercício físico faz bem à saúde, é muito importante quando passamos muitas horas sentados e yada, yada, yada. No entanto não é por isso que acho que o exercício me ajuda com a escrita. Tenho, aliás, dois motivos diferentes.

Por um lado, penso sempre nas caminhadas, que são a minha forma favorita de exercício físico. Costumo caminhar enquanto ouço podcasts, portanto trabalho a parte da curiosidade de que falei antes, mas também é um momento em que, muitas vezes, tento limpar a mente, observar o que me rodeia e deixar que os pensamentos se organizem e deem espaço para pensar. É muito comum as caminhadas me darem ideias, ajudarem a desbloquear textos ou simplesmente organizarem pensamentos de forma a ter mais disponibilidade mental para escrever depois.

Por outro lado, tenho tentado, duas a três vezes por semana, fazer algum treino de HITT, cardio ou um daqueles de dança da Pamela Reif (um clássico!). Faço-o mais pelos motivos óbvios de passar muito tempo sentada, precisar de me mexer, querer estar saudável e por aí fora. No entanto tenho notado que esta componente do exercício físico me ajuda muito a limpar a mente. Tenho treinado de manhã, antes do trabalho, por isso acaba por ser uma forma de começar o dia com mais calma mental, sem estar a listar mentalmente todas as coisas que preciso de fazer nesse dia. Quando treinava ao fim do dia sentia um efeito semelhante, mas no sentido de limpar da mente o tema trabalho, o que também ajudava na transição entre o modo trabalho e o modo descanso ou o modo escrita de outras coisas.

Passar tempo com outras pessoas

É uma questão que, às vezes, me faço: serei uma falsa extrovertida ou uma falsa introvertida? Cresci a ser a miúda calada a quem os professores pediam que participasse mais e, agora, sei que isso foi muito motivado pelo facto de, no meio familiar, eu não ter propriamente grande liberdade de expressão ou de opinião. No entanto, com os anos, sinto que me fui adaptando a uma versão muito mais faladora — muito mais. Talvez tenha ajudado ter sido obrigada a adotar esta versão quando trabalhava na clínica veterinária e tinha de falar com os donos e não podia só dedicar-me aos cães.

Claro que ainda adoro passar tempo sozinha e fazer coisas só comigo, mas também gosto, cada vez mais, de incluir os meus amigos, de passar tempo com eles. Sei que passar a trabalhar a partir de casa teve um certo impacto nesta necessidade de ter algum momento da semana para ver pessoas, conversar e absorver outras energias. Mas também acho que isto acontece porque conversar com outros (e ouvir as conversas alheias) é um combustível ótimo para a escrita. Quantas coisas escrevo porque surgiram em conversa ou porque ouvi alguém no metro falar sobre o assunto? Ainda bem que ninguém pede créditos.

Saber parar

Saber parar é algo importante para a vida em geral, é certo, principalmente numa época em que parece que o descanso é visto como desnecessário. É algo em que, por vezes, ainda falho. Sinto-me culpada por descansar, por não estar a aproveitar para escrever mais, para fazer não sei quantas coisas, mas também me obrigo a lembrar constantemente que parar é importante. Sem parar não vou dar tempo ao corpo para repor energias, não vou dar tempo à mente para esvaziar e se sentir pronta para receber mais informação e processar outras coisas.

Sempre tive muito esta visão de que o descanso era um luxo, mas, na pirâmide das necessidades (de Maslow), colocaria-o na base. Muitas vezes é um luxo, sim, mas é uma necessidade básica, por mais que pareça que temos de estar sempre a fazer, a criar, a mexer. No final do dia, a consistência não significa dar 100% todos os dias; significa também reconhecer os dias em que é preciso parar, descansar, desperdiçar a produtividade e simplesmente não fazer mais do que o necessário. Acredita: mais vale ir parando a bem do que ser obrigado a parar a mal.

ainda sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.