Desde que comecei a ler poesia que decidi que ia avançar cuidadosamente por este género. Queria tentar ler os grandes poetas, claro, mas também queria ir à descoberta daqueles com menos obra publicada. Para mim, era fundamental poder descobrir a poesia na sua verdadeira elasticidade, para lá dos poemas mais habituais. Cruzei-me com Duarte Scott numa dessas vezes em que andei a navegar por opções poéticas em livrarias online. Com apenas dois livros publicados, o primeiro livro era a opção que me parecia segura para começar. Foi assim que Exposição chegou à minha lista de livros de poesia a considerar para ler um livro por mês deste género em 2026.
Exposição é um livro que vive para abordar o seu título e o seu oposto — aquilo que é exposto e aquilo que é escondido —, muito focado em relações humanas, as amorosas, claro, mas também as familiares. Entre os poemas e os prosímetros, estes textos que vivem entre a prosa e a poesia, Exposição alimenta-se de memórias. O próprio Duarte Scott reconhece que muitos poemas do livro partem de experiências pessoais, mas defende que o interesse destes poemas não é autobiográfico.
Curiosamente, acho que aquilo que mais tenho notado na poesia que tenho lido é que quanto mais se notam as experiências pessoais (verídicas ou ficcionais) mais eu gosto dos poemas. Não sei se é por não gostar tanto de cair no abstrato ou se é por conseguir mais facilmente sentir algum tipo de ligação com as experiências pessoais, mesmo que não me digam nada diretamente.
Neste livro em específico, sinto que a proximidade foi maior com os prosímetros, mas custou-me entender a linha condutora que ligava todos os textos e poemas e foi uma experiência de leitura que não me deu grandes certezas em relação à opinião que tenho do autor — de uns gostei muito, de outros nem por isso. Acho que terei de ler o segundo livro para tirar teimas.
Título original: Exposição. Poemas e Prosímetros
Autor: Duarte Scott
Ano: 2022
Editora: Tinta-da-china
Lido a 1 de fevereiro de 2026


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