feira do livro do porto: um resumo da edição de 2026

O meu lugar preferido do mundo para estar é entre palavras.

Bem… entre palavras e entre o Douro e a Circunvalação.
Gosto de batons, de cães e de incluir referências a Taylor Swift em qualquer conversa. 

Sabe mais sobre mim aqui.

feira do livro do porto 2026
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Chegou ao fim mais uma edição da Feira do Livro do Porto e, como se tem tornado habitual, comecei a escrever um resumo daquilo que foi esta edição para mim. Admito que, este ano, senti alguma dificuldade em decidir como estruturar e o que dizer. Por isso, primeiro tenho todo um rant sobre hauls literários, consumismo e a decisão de continuar ou não a partilhar as compras que fiz ali. Depois disso, falo de cada dia em que fui, já que ainda fui a algumas sessões. No fim incluí uma parte diferente do habitual, com algumas coisas que sinto que não correram tão bem este ano e que acho que precisam de melhorar em edições futuras. Desculpa o rant inicial, mas achei importante pensar sobre isto. Já diziam os outros: valia a pena pensar nisto…

Debates interiores causados por hauls

Normalmente, esta é a única altura do ano em que partilho hauls, ou seja, em que falo dos livros que compro. Desde há uns anos, os hauls têm sido um tipo de conteúdo que me causa debates interiores. Por um lado, sinto realmente que há uma promoção desmedida do consumo sem outro objetivo para além de mostrar que se comprou determinado produto e, assim, conquistar um certo estatuto. Por outro lado, acho que também somos demasiado rápidos a julgar aquilo em que os outros gastam dinheiro como se fosse o nosso dinheiro ou como se todo o conteúdo sobre compras implicasse automaticamente que o objetivo fosse promover o consumismo ou mostrar algum tipo de superioridade.

Já fiz vários hauls de livros no passado e até de outro tipo de compras, incluindo de um calendário do advento de beleza, um desejo de consumo não escondido, mas também é por isso que vou pensando mais nisso. Tenho tentado perceber que tipo de conteúdo quero realmente fazer, o que ainda me faz sentido e o que já não tem a ver com o que gosto de ver ou de fazer. E, sinceramente, não é algo fechado para mim. Há muitos tons de cinzento pelo meio. Mas enquanto listava tudo o que comprei este ano senti novamente que estava neste momento de: gosto de ver os livros que as pessoas compram vs. não sei se uma lista de compras de uma Feira do Livro interessa vs. acho que mostrar que juntar dinheiro ao longo do ano dá uma margem incrível para comprar vs. não quero que as pessoas achem que normalizo comprar muitos livros ou que acho que comprar muito tem de ser o caminho.

As notícias dizem que houve menos visitantes e menos vendas este ano, mas este foi o ano em que mais comprei. Aproveitei muitos livros do dia que queria ler há muito tempo, tinha uma boa poupança para usar e ainda comprei duas novidades que tanto compraria ali como noutro contexto. Este ano vi mesmo muita oferta diferente e promoções interessantes nas editoras maiores. Sim, gastei mais do que tinha estipulado. Mas eu ponho dinheiro de parte todos os meses para gastar aqui e fui gerindo as minhas compras dentro do que podia gastar em excedente. E depois de todo este raciocínio concluí que estas partilhas de compras da Feira do Livro sempre me agradaram porque permitiam mostrar aquilo que a Feira oferece e as opções existentes, que têm aumentado de ano para ano. Portanto, vamos abrir o jogo.

A edição de 2026

Este ano, voltei a ir dar uma volta em dia de abertura e é algo que gostava de continuar a repetir. Gosto desta ida num dia que me parece de festa, deste primeiro pôr-do-sol no recinto, da expectativa de perceber que opções vamos encontrar e de saber que é só o início de vários dias. Nestes anos tenho acabado por ir várias vezes ao longo das duas semanas de Feira, mas esta ida inaugural é sempre especial.

Neste primeiro dia trouxe três livros do dia, dois dos quais tinha na minha lista:

  • Amores verdadeiros, de Taylor Jenkins Reid
  • A vegetariana, de Han Kang
  • Quem era Sophia?, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, com ilustrações de Sara Feio

No primeiro fim-de-semana, fui apenas no sábado. Assisti a parte da cerimónia de atribuição da tília de homenagem à Inês Lourenço, que este ano foi no recinto da Concha Acústica, e fui à sessão Um poema é sempre uma pergunta sem resposta, que juntou José Manuel Teixeira, Rosa Maria Martelo e Jorge Sobrado à Inês Lourenço para uma conversa moderada pela Teresa Coutinho, com leituras de Isaque Ferreira e Raquel Marinho. A sessão desiludiu-me um pouco, porque foi mais uma espécie de exposição e análise da obra do que uma conversa e tinha potencial para dar uma bela conversa. Além disso, foi o dia em que percebi que os horários desta edição eram bem capazes de descambar… o que se foi confirmando.

Neste dia trouxe dois livros do dia da minha lista, uma novidade e dois ensaios da FFMS:

  • Escrever à mão, de Alexandre Castro Caldas
  • John & Paul, de Ian Leslie
  • Mulherzinhas, de Louisa May Alcott
  • Os meus sentimentos, de Dulce Maria Cardoso
  • Tira o disco e toca ao vivo, de João Gobern

Era para ter ido à Feira no dia 24, a primeira segunda-feira, mas o mau tempo fechou os stands e eu acabei por decidir não sair de casa só para ir à sessão da Tatiana Salem Levy. Voltei na terça-feira para assistir à conversa entre o Dino D’Santiago e a Gisela Casimiro. Foi uma sessão mesmo bonita, honesta e, em certa medida, emotiva. A sessão está disponível no Youtube e acho que vale mesmo a pena. Saí de lá com vontade de os ler a ambos.

Nesse dia consegui comprar um livro do dia que era suposto ter sido do dia anterior e encontrei outro que já queria também com promoção como se fosse livro do dia:

  • Enquanto Lisboa arde, o Rio de Janeiro pega fogo, de Hugo Gonçalves
  • Vejam como dançamos, de Leila Slimani

Na primeira semana só voltei a ir na quinta-feira, para duas sessões. Ao fim da tarde, assistimos ao concerto da Elisa com o S. Pedro, na Concha Acústica. A Elisa tem numa voz fabulosa e, depois de dois concertos em que ela foi convidada, gostava de a ver num concerto só dela. À noite, estivemos na conversa entre o Martim Sousa Tavares e o Guilherme Blanc, que partiu do mais recente livro do Martim, Amanhã à mesma hora, que adorei e não me tenho cansado de recomendar (ainda quero ver se escrevo sobre ele). No final ainda houve sessão de autógrafos.

Na segunda semana, fui de propósito na segunda e na terça-feira para comprar um livro do dia em cada dia. Na terça-feira ainda fui dizer olá e pedir um autógrafo ao Júlio Machado Vaz e descobri que ele é a personalidade pública que me deixa sem saber articular palavras. Na minha cabeça, queria ter dito várias coisas. Na realidade, consegui só dizer que estava calor. Aproveitei para passear com mais calma entre stands e aproveitar algum tempo pelos Jardins, algo que não fazia há muito tempo.

Nestes dois dias comprei:

  • A casa dos espíritos, de Isabel Allende
  • Querido Edward, de Ann Napolitano

Durante a semana voltei na quinta-feira para assistir ao concerto do Tiago Nogueira e do João Só, na Concha Acústica. Já os tinha visto ao vivo este ano e sabia que ia ser um concerto porreiro, mas acho que o ambiente estava mais animado e agradável. Tenho de destacar a versão da Falésia do amor, ponto alto do espetáculo, nem tenho dúvidas.

Voltei ainda no sábado, para duas sessões de autógrafos de novidades com as quais estava particularmente entusiasmada:

  • É tempo de morangos, da Bruna Martiolli
  • O império do fim, de Hugo Gonçalves

E, por fim, chegámos ao último dia. Assistimos à sessão As cidades dos livros e os livros das cidades, que juntou Mário Cláudio, Teresa Coutinho, Isabel Pires de Lima e Manuel Jorge Marmelo numa conversa moderada por Jorge Sobrado. Foi uma conversa que não foi bem ao encontro do que eu esperava, com os temas a descambarem para vários lados diferentes, mas acho que deu para tirar uma ou outra coisa interessante. Esta sessão também está disponível no Youtube da Câmara Municipal.

Para despedida, aproveitei um livro do dia, trouxe um livro para um curso que vou fazer e ainda consegui aproveitar promoções de fim de feira:

  • A casa holandesa, de Ann Patchett
  • Coisa que não edifica nem destrói, de Ricardo Araújo Pereira
  • Crónicas de Ramírez – vol. I, de Luís Silva
  • O casamento, de Nelson Rodrigues
  • Oração para desaparecer, de Socorro Acioli

Não consegui ir a tantas sessões como no passado, mas acho que consegui aproveitar bem esta edição e fiquei realmente contente por ter conseguido comprar tantos livros que já queria ler há muito tempo e que fui deixando andar com esperança de que, deixando de ser novidade, encontrasse boas promoções. E encontrei. Às vezes vale a pena esperar.

Algumas melhorias que gostava de ver em edições futuras

  • Programa divulgado com mais antecedência. Fiquei tão contente quando vi os concertos confirmados um mês antes, apenas para depois só ter o programa online com três dias de antecedência. Acho que se conseguia ir divulgando o programa com tempo, principalmente as sessões maiores. Até para marketing é melhor.
  • Horários e logísticas das sessões. Este ano não consegui ir a muitas sessões porque, novamente, a maior parte do que me interessava foi durante a semana, em horário laboral. Achei porreiro algumas terem transmissão online e acho que era interessante que isso acontecesse em todas as sessões que acontecem na Biblioteca. Mas, principalmente, gostava de sessões mais cumpridoras de horários, algo que este ano foi difícil de ver. Gostei da ideia de haver uma sessão com inscrições online, mas não inventem novamente coisas como na sessão do Dino D’Santiago e da Gisela Casimiro, em que diziam que era preciso levantar bilhetes até 3 horas e afinal era a partir de 3 horas antes…
  • Acessibilidade. Não é só nesta, atenção, mas acho que precisamos seriamente de começar a pensar em ter uma Feira mais inclusiva, com acessibilidade real aos stands, não com rampas estranhas e balcões altos. Acho que é um problema de todas as Feiras do Livro a que já fui, não só desta, mas já se fazia algo para ajudar a melhorar isso.
  • Gestão de espaço. A Feira tem crescido muito e gosto de ver esse crescimento, mas acho que a forma de usar o espaço dos Jardins tem de ser repensada. Não é nada agradável estar nas sessões de autógrafos junto aos Cavalinhos quando está uma tuna a atuar ali ou em partes da Avenida das Tílias onde o sol bate, com um calor descomunal. Acho que é mesmo preciso se pensar na melhor forma de utilizar o espaço, gerir stands e ajudar a que a Feira seja mais acessível e acolhedora. Ocupem mais dos Jardins, deixem de ter os stands de patrocinadores dentro da Feira, troquem a área infantil por uma área com mais sombra, aproveitem a área infantil atual para alguns stands

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