alegria para o fim do mundo [andreia c. faria]

O meu lugar preferido do mundo para estar é entre palavras.

Bem… entre palavras e entre o Douro e a Circunvalação.
Gosto de batons, de cães e de incluir referências a Taylor Swift em qualquer conversa. 

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opiniões literárias

Sabia que este dia podia chegar, mas não esperava que pudesse chegar no terceiro mês do ano: questionei a minha ideia de ler um livro de poesia diferente por mês durante este ano. Quando comecei a escolher os livros que me pareciam interessantes para este desafio quis ter uma mistura de autores de gerações diferentes também para poder ter tipos de poesia diferentes. A ideia sempre foi explorar variantes de poesia e ganhar algum reportório poético, descobrir autores de que gosto e poemas que me dizem alguma coisa. Por isso, sabia que havia algum risco nestas escolhas. Mas admito que ser a terceira escolha a fazer-me torcer o nariz me desmoralizou um bocadinho…

Escolhi Alegria para o fim do mundo com base em excelentes opiniões que fui vendo por aí. A Andreia C. Faria é uma das chamadas novas vozes da poesia contemporânea portuguesa e, por isso, faz-me todo o sentido incluí-la nesta lista de autores a explorar. Neste livro, os temas andam muito à volta do que é ser mulher e de várias vivências femininas, com poemas um tanto viscerais, com alguma ironia à mistura.

Aquilo que tenho percebido com a poesia é que, tal como noutros géneros, a poesia não é universal e há poetas que podem não ser para nós. Foi o que senti ao ler Alegria para o fim do mundo: que estava a ler algo que não era para mim, que não ia conseguir ligar-me àqueles versos. E claro que me frustrou sentir isso, porque normalmente a poesia não é um género que eu arraste e, neste caso, ia arrastando a leitura e sentia que estava quase a obrigar-me a tentar tirar significados de poemas que não estavam a interessar-me.

Mas a verdade é que a poesia é só mais um género em que nem todos vamos gostar do mesmo, nem todos vamos interpretar as coisas da mesma forma e definitivamente nem todos nos vamos ligar às palavras da mesma forma. Sinto que, na poesia, há ainda mais subjetividade inerente à opinião sobre um livro. Enquanto na prosa conseguimos facilmente falar de narrativa, de construções frásicas, de personagens, na poesia ficamos entregues unicamente às palavras e àquilo que interpretamos nelas. Não há uma narrativa, não podemos sequer julgar as construções frásicas porque a poesia tem regras próprias e cada poeta fará as suas. Por isso se calhar este é o livro perfeito para muitos, não é um livro que eu possa dizer que é terrível: é só um livro que não é para mim.


Título original: Alegria para o fim do mundo
Autora: Andreia C. Faria
Ano: 2019 (li a reimpressão de 2024)
Editora: Porto Editora
Lido entre 1 e 8 de março de 2026

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