favoritos portuenses para celebrar 5 anos desta vida conjunta

O meu lugar preferido do mundo para estar é entre palavras.

Bem… entre palavras e entre o Douro e a Circunvalação.
Gosto de batons, de cães e de incluir referências a Taylor Swift em qualquer conversa. 

Sabe mais sobre mim aqui.

porto|diário de sofia

Ando há dias às voltas com a introdução deste texto. O que é que quero dizer sobre cinco anos a viver no Porto, o que é que posso dizer? Já comecei estes parágrafos de várias maneiras, por isso acabo por desistir e listo só os favoritos que quero incluir. Talvez depois de os listar saiba o que quero dizer. Na pior das hipóteses, vou vaguear pela cidade até encontrar as palavras que melhor conseguem definir aquilo que sinto.

Estou numa sessão no último dia de Feira do Livro cujo tema é as cidades dos livros e os livros das cidades. Um dos convidados do painel decide dizer: «não sei se o Porto ainda tem uma alma». Tenho vontade de rir. Não sei se tenho autoridade para me rir, atenção. Também noto as diferenças na cidade desde que vim para cá, até desde que vim cá de visita. Muitas obras, mais sem-abrigo, mais turistas e, por consequência, mais espaços que são feitos para turistas. Mas eu vivi em Lisboa entre 2013 e 2019, já vi este filme acontecer, e acho que o Porto ainda não se perdeu.

É curioso ouvir alguém falar da alma do Porto quando acho que foi sempre pela alma que quis vir para cá e é pela alma que continuo a maravilhar-me pela cidade. Não há cidades perfeitas, mas há no Porto uma aura que o faz ser perfeito do jeitinho que é. Claro que eu mal vivi a época em que os pontos turísticos não pareciam prestes a rebentar pelas costuras, mas acho que o Porto encontra sempre uma maneira de não se perder de si e de tentar preservar o melhor da sua identidade. Mas até as cidades com identidade mais vincada têm de se adaptar às mudanças dos tempos.

Quando penso na alma do Porto também fujo da Ribeira e da Rua de Santa Catarina. Talvez tenhamos de aceitar que há partes em que começamos a ver mais defeitos, mas são partes que formam o todo que adoramos. Também é assim o amor. Para mim a alma do Porto estás nas pessoas, claro, no bairrismo de que a Sophia falava, nas zonas que podem estar mais caras mas ainda são habitadas por pessoas reais, nos lugares onde o peso do turismo não faz vergar. Viver no Porto tem sido uma descoberta constante, um lembrar recorrente de que há tanto de bonito para se admirar aqui. No dia em que, para mim, o Porto perder a alma eu terei perdido também, tenho a certeza. Para já, ainda encontro beleza em tantas coisas.

Nas caminhadas de fim de tarde no Parque da Cidade. Bem, nas caminhadas de qualquer hora, sinceramente. Até naquelas em que paro a meio do percurso para me sentar num banco solitário a apreciar a vista. Principalmente naquelas que vêm com o propósito de me sentar na relva a aproveitar o sol.

Nas idas ao Il Fornaio para comer tiramisu. Nunca poderia falar de favoritos portuenses sem falar do meu tiramisu preferido.

No Parque de São Roque quando as camélias começam a florir. Dá vontade de ter uma camélia no jardim. Só faltava ter um jardim. E depois ter capacidade para cuidar de uma camélia.

Nos passeios noturnos de carro pela marginal. Sim, de dia é muito lindo, mas há algo de especial em fazê-lo à noite. Especialmente quando há alguma neblina alta e o Douro parece personagem de policial.

No céu cheio de balões na noite de São João. É tão bonito, tão emotivo. Também é aqui que vive a alma do Porto.

No ir à descoberta de uma francesinha que ainda não se provou.

No jardim do Marquês quando as tulipas já floriram. Em qualquer jardim com tulipas, para ser justa.

Na energia de ver o Porto jogar em casa, incluindo nos palavrões.

Nos passeios pela Feira do Livro nas tardes nubladas que começam a lembrar o outono. Sim, aquelas tardes em que parece mais outono do que verão são as melhores para se passear pela Feira. Ou então sou eu que guardei demasiado bem a sensação do meu primeiro passeio de sempre pela Feira, numa dessas tardes nubladas em que tudo lembra outono.

Nas magnólias que começam a ganhar flor ainda durante o inverno.

No outono um pouco por toda a cidade, incluindo em lugares nada românticos como a circunvalação e a rotunda da Boavista.

No sentar na varanda a ver o pôr-do-sol. Não que haja maus lugares nesta cidade para se ver o pôr-do-sol, mas este é especial.

No chegar à entrada da ponte, seja qual delas for, e sentir os versos do Carlos Tê de uma maneira diferente. Sentir que se está a chegar a casa. Chegar a casa.

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