leme [madalena sá fernandes]

leme madalena sá fernandes
opiniões literárias
  • Quando: 24 de julho de 2023
  • Gatilhos: luto; violência doméstica; saúde mental; relacionamentos abusivos
    Quando comecei a ver o <em>Leme</em> pelas redes sociais fiquei curiosa. Não conhecia a Madalena Sá Fernandes, mas ver tanto alarido à volta do livro de estreia deixou-me interessada. Trouxe-o da <a href="https://asofiaworld.com/2023/07/feira-do-livro-da-maia-2023/" target="_blank" rel="noopener">Feira do Livro da Maia</a> e acabei a devorá-lo num dia do final de julho.

Leme tem algo que me agradou muito à partida: a mistura entre ficção e autobiografia. É um hibridismo de géneros que me agrada e que sinto que proporciona uma experiência de leitura interessante porque nos deixa a questionar o que terá sido realidade e o que é ficção sem nunca chegarmos a uma conclusão.

Neste livro temos o relato, na primeira pessoa, de uma mulher que assistiu, ao longo da vida à relação abusiva em que a mãe estava — sendo que parte deste abuso acaba por se estender a ela também. Ao longo do livro vemos a narradora passar de criança a adulta e compreender melhor os contornos desta relação com o padrasto.

Gostei muito da escrita da Madalena. Leme pega muito na construção e reconstrução de memórias e até no lado bom e mau que todos temos. Como se trata, à partida, de uma obra que terá muito de realidade é difícil dizer isto, mas o livro não foi tudo o que eu esperava. Sim, é agoniante e revoltante, mas eu contava que fosse ainda mais. Acredito, ainda assim, que não o é por um motivo: a fase do luto já não é a da zanga, é a da aceitação. Há uma certa compreensão de tudo o que aconteceu, quase como fazer as pazes com a situação. Vou certamente querer ler os próximos trabalhos da Madalena.

mais sobre o livro

Título original: Leme
Autora: Madalena Sá Fernandes
Ano: 2023

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2 comentários

  1. Este livro marcou-me, pela história, pela abordagem e pela escrita, mas também estava há espera que fosse mais intenso em algumas partes; esperava que não ficasse só à superfície. Por outro lado, entendo que não as aprofunde, precisamente por isto: «Acredito, ainda assim, que não o é por um motivo: a fase do luto já não é a da zanga, é a da aceitação»

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