Quando estava no mestrado, tive de escolher um livro para escrever um ensaio na cadeira de Literatura Portuguesa e Hibridismo dos Géneros. De todos os géneros híbridos que podia encontrar em livros portugueses, acabei por me socorrer daquele que sempre me apaixonou: a crónica. Na altura estava a fazer um curso de Crónica Literária também (uma parceria da Tinta-da-China e do jornal Público) e tinha muitas opções em mente, mas a minha escolhida foi a Alexandra Lucas Coelho, que tinha lido uns meses antes, e o seu Vai, Brasil.
Comecei a prestar mais atenção ao trabalho da Alexandra Lucas Coelho quando estava a estudar Jornalismo. Uma referência no jornalismo, com muito trabalho em várias frentes de guerra, o trabalho da Alexandra era frequentemente mencionado e cheguei a ler algumas entrevistas conduzidas por ela, mas só me aventurei nos livros em 2022, depois de ler algumas crónicas soltas numa outra cadeira de mestrado, a de Literatura de Viagens. Vai, Brasil é um relato dos primeiros meses em que Alexandra viveu no Brasil, em 2010. As crónicas oscilam entre as literárias e as jornalísticas, mas todas permitem ter acesso privilegiado à visão da autora sobre o Brasil e até à visão dela sobre as ideias pré-feitas em relação aos mesmos.
Podemos chegar a alguns lugares sem saber nada. Já ao Brasil chegamos sempre com excesso de bagagem. Piadas, salamaleques, mal-entendidos de 500 anos. Sabemos o que achamos que sabemos, e não nos conformamos com o que acham de nós.
<p style="text-align: left;">Uma das coisas de que mais gosto nas crónicas da ALC é o facto de a escrita dela conseguir ser simples, com algum humor e, ainda assim, demonstrar um conhecimento e respeito gigantes pelo tema a que se está a referir. Aqui gosto também do facto de não serem relatos de uma passagem curta num lugar: ela foi viver ali, portanto são também relatos de uma experiência enquanto moradora num país onde, como a própria diz, se chega sempre com demasiada bagagem. Afinal, quantos de nós não cresceram com referências brasileiras na televisão, na música ou até nas piadas ouvidas na rua?</p><p style="text-align: left;">A sensação que tenho de <em>Vai, Brasil</em> é que tem muito de familiaridade, porque o local nos é familiar mesmo que nunca o tenhamos visto, os temas ainda estão na nossa memória e mesmo as imagens mentais que nos falham são fáceis de recuperar pela escrita. É um livro que, à semelhança de outros da autora que tenho lido, exige mais tempo, mais dedicação. Não é uma leitura rápida; lê-se com a tranquilidade de quem vai à descoberta de um lugar sem a pressa de se ir embora.</p>
<a tabindex="0">mais sobre o livro</a>
<p style="text-align: left;">Título original: <i>Vai, Brasil</i><br />Autora: Alexandra Lucas Coelho<br />Ano: 2013 (edição Caminho: 2021)<br />Gatilhos: linguagem explícita</p>
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