2025: retrospetiva do ano

fim de ano|diário de sofia

Depois de um 2024 fodido, tudo o que eu queria de 2025 era ter algum descanso, não ter um ano em que sentisse que estava constantemente a levar porrada, a lutar contra o mundo e, pior, a lutar contra a minha mente. 2025 foi um ano de rotina, de esforço, de trabalho, mas também foi um ano de pequenas conquistas que, acredito, vão dar frutos e abrir possibilidades. Admito que não achei que 2025 me fosse trazer uma sensação positiva porque logo no início do ano comecei a sentir-me exausta e presa no mesma rodinha do rato, com imprevistos a atacar uma das minhas maiores áreas de ansiedade. Mas as coisas compõem-se, a forma como vemos o trabalho muda, o nosso compromisso muda e os objetivos adaptam-se. 2025 permitiu-me ter alta na psicóloga, amortizar o crédito que fiz para o tratamento do dentista quase um ano e meio antes do fim do prazo de pagamento, reforçar muito o meu fundo de emergência, mudar de trabalho, manter-me focada e organizada nas marmitas, na poupança e em rotinas matinais saudáveis. Falta-me manter outras rotinas saudáveis, mas acho que 2025 foi o primeiro ano em que consegui realmente quebrar padrões negativos e admitir que mais vale feito do que perfeito, principalmente quando és só uma e não podes nem deves trabalhar por três ou quatro.

2025 teve semanas super corridas, com muito trabalho, muitas saídas e pouco tempo em casa, mas também teve semanas de recolhimento, de rotinas certinhas, de fins-de-semana em casa. Não consegui investir na minha formação da forma que queria, mas fiz um curso do Plano Nacional de Leitura sobre O Que Faz um Bom Livro?, com a Maria do Rosário Pedreira, logo no início do ano e depois aproveitei novembro para fazer três cursos na plataforma NAU — Introdução ao Design Thinking, Conhecimento Aprofundado na Aplicação de Design Thinking e Influencer Marketing: Como Potenciar a Sua Marca. Já a preparar o ano seguinte paguei um curso que quero fazer há nos e comprei outros dois cursos online. Acho que este ano foi o ano em que quis mais formação por querer aprofundar conhecimentos e não por achar que não tinha quaisquer conhecimentos.

Nem sempre deu para ter encontros regulares com todos os meus amigos, mas quando deu pude conhecer restaurantes novos, partilhar dramas laborais, criar novas piadas privadas e sentir que realmente a vida é um bocadinho melhor porque tenho estas pessoas na minha vida. Pela primeira vez, saí de um trabalho com a sensação de que tinha feito amigos dos quais ia sentir falta. Valorizei cada passeio de carro pelo Porto com o A., meio maravilhada com a beleza noturna da cidade, meio maravilhada com a beleza daquilo que temos. Senti-me meio tonta muitas vezes este ano, fosse a admirar o Porto, a felicidade da Lady, as minhas pessoas. E depois veio a Taylor dizer «’Cause I thought that I’d never find that / Beautiful, beautiful life that / Shimmers that innocent light back» e percebi que era mesmo isso, que afinal tinha precisado de chegar aos 30 para sentir que a vida até podia ser bonita, apesar de tudo o que corre bem.

Este ano vi uma Orquestra pela primeira vez, elaborei boas campanhas de marketing sozinha, comi tantos gouda rings do Burger King quanto foi possível (podem voltar, por favor?), fui mais vezes ao cinema, voltei a ir ao teatro, vi espetáculos de humor e fui a 22 concertos. Sim, nem sempre li tanto quanto queria, mas encontrei novos favoritos da vida, fui mais consciente a comprar livros e encontrei uma forma mais sustentável e entusiasmante de partilhar o que leio. Sinto que tomei melhor conta de mim este ano, com melhores produtos de skincare, respeitando quando o meu corpo pedia descanso, mantendo uma alimentação decente, com muita água e muito mais respeito pelos meus limites e pela minha saúde mental. Se foi preciso me aproximar do ponto de rutura? Foi, mas pelo menos soube dar a volta a tempo.

Aproveitei os meus lugares preferidos e pude voltar a trazer a Lady a uma praia, vi um jogo do Porto no Dragão, voltei ao Jardim Botânico do Porto, a São Roque e ao Il Fornaio, fui muitas vezes à Feira do Livro. O ano deu-nos insólitos como um apagão e eu ir votar e a responsável da mesa de voto dar o meu cartão do cidadão a outra pessoa, mas também teve vários momentos de miúda independente e levei o carro ao mecânico e à inspeção sozinha. 2025 foi um dos piores anos de incêndios de que me lembro e, pela primeira vez, tive de contemplar o negro deixado pelo fogo a poucos metros de casa, consciente de que por vezes temos mesmo muita sorte.

Sinto que em 2025 falhei comigo na escrita. O cansaço mental venceu-me durante a maior parte do ano e ainda não consegui tirar tanto partido do facto de trabalhar em casa para sentir que dei realmente tudo o que tinha à escrita. Não dei. Não peguei no manuscrito que quero reescrever, não escrevi ficção em nenhuma forma, não fui regular como queria. Mas tentei também não trazer o cansaço para a escrita e até dei finalmente uso ao Buy Me a Coffee, mesmo que só as minhas amigas contribuam. E fiz as pazes com o facto de ter uma profissão que exige das minhas palavras e que isso pode significar não ter tanta disponibilidade mental ao fim do dia. Aliás, este ano passei a ter uma profissão muito mais focada nas palavras e isso também merece destaque.

2025 não foi perfeito, mas teve muitos momentos que estiveram perto disso e que eclipsaram os dias maus, o cansaço extremo, o medo, a ansiedade. Parto para 2026 com a sensação de que plantei as sementes certas e que estou pronta para as colher. Só posso pedir que 2026 mantenha o nível, porque estou a trabalhar para conquistar aquilo que é realmente importante para mim.


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