as leituras do 2.º trimestre

O meu lugar preferido do mundo para estar é entre palavras.

Bem… entre palavras e entre o Douro e a Circunvalação.
Gosto de batons, de cães e de incluir referências a Taylor Swift em qualquer conversa. 

Sabe mais sobre mim aqui.

opiniões literárias

Um dia talvez descubra que tudo isto são mudanças vindas dos 30, que faz sentido que assim seja porque vamos mudando ao longo dos anos e isso tudo, mas ando há meses a notar uma série de diferenças na forma como encaro alguns hobbies e atividades regulares, juntamente com uma necessidade de mudança, de ajustes. Um dos hobbies onde mais tenho notado isso é a leitura.

Deixei de querer participar em clubes de leitura, praticamente deixei de seguir conteúdos destes nichos e até os desafios de leitura que decidi para este ano me têm obrigado a pensar se, no futuro, quero mesmo ter este tipo de desafios da forma como os tenho agora. Claro que continuo a ver vídeos sobre literatura, acompanho as novidades e até posso escolher um ou outro tipo de conteúdo para de vez em quando, mas têm sido hábitos muito menos comuns no meu dia-a-dia.

Há vários meses comecei a ler menos do que achava estar dentro dos meus números habituais de livros lidos. Encarei isto como algo negativo, como algo que precisava de contrariar, um problema que tinha de resolver. Como se houvesse algo errado em ler menos do que lia antes… sendo que até estou a ler dentro dos números que lia durante o mestrado. Portanto o que raio é ler muito ou pouco? Além disso, se estou a ler menos porque tenho optado por tirar mais tempo para fazer exercício físico e porque tenho voltado a ver séries e filmes com regularidade, será mesmo algo problemático? (Resposta curta: acho que não é)

Para além disso, tenho pensado muito na maneira como leio — não de forma literal, não estamos nesse nível de mindfulness, mas em alguns detalhes associados à leitura. Talvez um dia me alongue nisto, não sei, mas o que é certo é que, no meio de tantas pequenas mudanças e pormenores notados, chego a meio do ano a deixar de lado objetivos, a deixar de criar listas do que quero ler mensalmente e a reavaliar aquilo que ainda quero mesmo ler até ao fim do ano.

Objetivos de 2026: tracking do trimestre e mudanças de planos

No início do ano partilhei alguns objetivos literários para este ano e um balanço a meio do ano parece-me sempre uma boa ideia para alinhar expectativas e, se necessário, ajustar planos — algo que vai acontecer. Este é o ponto de situação a 30 de junho:

  • Ter 150€ de orçamento para a Feira do Livro do Porto — comecei o ano com 43€ no meu fundo de Feira do Livro, no fim do 1.º trimestre do ano tinha 93€. Chego ao fim de junho com 137€.
  • Reduzir em 60% a TBR digital: 27 dos 45 ebooks que tenho por ler — até ao fim de março tinha reduzido minimamente para 42 ebooks, neste momento tenho 35 por ler. Acho que se chegar ao fim do ano com 30 por ler já vai ser ótimo.
  • Reduzir em 60% a TBR física: 50 dos 85 livros físicos que tenho por ler — ora, dos 85 iniciais, íamos em 71 no fim de março. Com algumas compras pelo meio e um número elevado de livros começados que foram ficando a meio, acabamos junho com 72 livros físicos por ler.

Reajustes necessários

  • Assim que começou julho, coloquei os 13€ que faltavam no orçamento para a Feira do Livro do Porto e decidi que não vou continuar a fazer o 1€ por livro lido. Até ao início da feira talvez coloquei mais 10€ ou 15€ de parte, veremos, mas para já o objetivo está fechado.
    Gosto desta ideia de gamificação da poupança, principalmente para quem não tem hábitos de poupança, mas não sinto que ainda faça sentido para mim e para os meus hábitos de poupança normais. Vou passar a definir um valor fixo de poupança para livros por mês, para poder ter margem para épocas em que normalmente compro mais livros, mas sem associar isso ao que fui ou não fui lendo. Se já sei que consigo facilmente pôr de lado 10€ ou 15€ para este propósito, então vou automatizar essa poupança.
  • Obviamente, o meu plano de redução de livros por ler não está a correr tão bem quanto esperava, por isso decidi ajustar os objetivos para melhorar a motivação e também para não me sentir frustrada ou desiludida no fim do ano. Assim:
    • TBR digital: reduzir para 30 livros por ler;
    • TBR física: reduzir para 55 livros por ler.

Leituras de abril

  • Jóquei, de Matilde Campilho
  • Um cão no meio do caminho, de Isabela Figueiredo
  • Outliers, de Malcom Gadwell
  • Quem diz e quem cala, de Chiara Valerio
  • Revolução inacabada, de João Pedro Henriques

Jóquei, de Matilde Campilho

Jóquei é uma espécie de álbum de verão, que navega entre as experiências da Matilde Campilho entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Depois de o ler não sei se chamá-lo livro de poesia é a forma certa de o classificar. Talvez tivesse de ser um dos livros que cai naquele género literário estranho que vemos nas livrarias: outras formas literárias.

Há muita prosa neste livro de poesia, em pequenas crónicas. Esta variedade afastou-me do livro porque, sinceramente, me pareceram colocados ali quase ao calhas, sem haver uma coerência que ligasse todos os textos. Também demorei a habituar-me às mudanças de português do Brasil para português de Portugal, mas acho que isso melhora ao longo do livro.

E a desilusão que foi perceber que, pelo segundo mês seguido, a minha aposta para o desafio de ler 12 livros de poesia em 2026 não correspondia às expectativas? Por um lado, sinto que a culpa é minha, que não sou entendedora o suficiente, que não tenho sensibilidade suficiente, que não sou inteligente o suficiente. Por outro lado, volto a pensar no livro da Andreia C. Faria e penso que não há livros universais, que é aceitável não nos identificarmos com tudo o que lemos, que a graça do desafio está precisamente em ter variedade — e isso significa que vai haver livros que não vão ficar na memória (nem na estante, provavelmente).

Um cão no meio do caminho, de Isabela Figueiredo

Tenho aproveitado o desafio Alma Lusitana, da minha amiga Andreia, para ir lendo alguns livros em relação aos quais tenho curiosidade há algum tempo e, neste caso, a Isabela Figueiredo era uma autora que tinha debaixo de olho há uns anos, por isso pareceu-me uma boa opção para me aventurar em Um cão no meio do caminho.

À partida, José Viriato e Beatriz não partilhariam muito mais do que uma vizinhança. Ambos têm uma vida muito solitária e isolada, motivada por passados complicados e dolorosos. Embora o livro seja muitas vezes definido como um livro sobre solidão, acho que o mais seguro seria dizer que é um livro sobre os pontos de encontro dos solitários e sobre aquilo que nos motiva ao isolamento.

Este livro não foi o que esperava. Há uma certa informalidade na escrita e é uma história que parece não se querer perder nos detalhes, sem tempo para engonhar naquilo que nos quer contar. Gostei particularmente de a escrita me parecer muito visual. Tenho a certeza de que daria uma boa adaptação para televisão.

Outliers, de Malcom Gadwell

Outliers é mais um exemplo do que me tem motivado a tentar realmente diminuir a quantidade de livros que tenho por ler: comprei o ebook há cinco anos e tenho a certeza de que, se o tivesse lido na altura, o impacto podia ter sido outro.

A ideia de Malcolm Gladwell para este livro é apresentar-nos os outliers, as pessoas que se tornam as mais bem sucedidas nas suas áreas. O motivo? É isso que ele pretende explorar: o que faz com que estes outliers sejam diferentes do comum dos mortais? Focado na origin story de cada exemplo, o autor vai à família, à cultura em que cresceram, às experiências próprias da geração em que se encontram e à educação que tiverem.

A leitura é interessante (e ainda tem os Beatles como exemplo!), mas sinto que já se viu, leu e ouviu tanto sobre os extraordinários, sobre as 10 mil horas, sobre o impacto das origens, que precisava de que a escrita me tivesse dado um bocadinho mais para me cativar.

Quem diz e quem cala, de Chiara Valerio

Este livro não fazia parte dos meus planos, mas estava no Intercidades para Lisboa quando uma das minhas colegas mostra o livro que vai ler durante a viagem e a outra diz que tem esse livro por ler também. Como não conhecia, fui pesquisar e pareceu-me uma escolha interessante, por isso acabámos a ir até Lisboa a ler o mesmo livro.

Quem diz e quem cala tem como premissa uma morte: Vittoria morreu e, com a sua morte, há uma série de histórias que se juntam e tenta terminar o puzzle que parece ser a vida desta mulher… e até a morte. A narrativa anda muito à volta do mistério que é Vittoria e rapidamente se percebe que nem quem julgava conhecê-la bem consegue ter a certeza em relação a isso.

A escrita é envolvente e intrigante e o mistério é bem construído e conseguiu manter-me sempre agarrada à história, curiosa por perceber quantas mais camadas podiam existir naquela mulher. No final, sinto que fiquei com tantas ou mais perguntas acumuladas ao longo da leitura, mas foi uma leitura boa para entreter.

Revolução inacabada, de João Pedro Henriques

Tinha pensado noutro livro para a leitura temática de 25 de abril, mas, como este mês não correu como planeado, acabei por escolher um ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, escrito pelo João Pedro Henriques.

Em pouco menos de 100 páginas, o ensaio foca não o que mudou para melhor depois de 25 de abril de 1974, mas aquilo que não mudou com o 25 de Abril, nomeadamente na justiça e na política.

É um ensaio curto e interessante, embora a escrita nem sempre me tenha parecido muito fluída. O tema, esse sim, acho importante, principalmente porque nos lembra de que ainda há muito trabalho a fazer e que uma geração não chega para mudar um país.

Leituras de maio

  • Poemas quotidianos, de António Reis
  • Cinco voltas na Bahia, de Alexandra Lucas Coelho
  • Escola de finanças pessoais, de Andreia Melo e Tânia Matos
  • Sótão, de Madalena Sá Fernandes
  • Escrevo porque gosto de ganhar dinheiro, de Isra Bravo

Poemas quotidianos, de António Reis

Admito que, depois de não me ter alinhado com as últimas leituras de poesia, vim para a minha escolha para maio com algum receio. Este foi um daqueles livros que escolhi sem qualquer referência, sem saber o que me esperava ou se conhecia alguém que o tivesse lido.

António Reis foi poeta e cineasta e este livro esteve esgotado durante décadas antes de ser republicado em 2017. Poemas quotidianos carrega algum peso, embora não tenha conseguido perceber se era pela época em que foi escrito, num país constrangido, ou se, na verdade, o peso e o constrangimento vinham apenas do próprio autor.

Gostei mais do que das duas escolhas anteriores, mas o misticismo e as entrelinhas deixam-me na dúvida sobre quantas camadas terão ficado por desvendar na minha leitura.

Cinco voltas na Bahia, de Alexandra Lucas Coelho

Tem sido motivador pegar em livros parados na estante há vários anos e saber que finalmente a vez deles chegou. Um desses exemplos é o Cinco voltas na Bahia, que comprei mais ou menos na altura em que li Vai, Brasil pela primeira vez, durante o mestrado. Fui adiando a leitura com a justificação de que, como havia um livro de ficção entre estes dois livros, tinha de os ler por ordem. Porquê? Porque sim. Nada obrigava a tal.

Como o próprio título indica, estes textos resultam das viagens que a Alexandra Lucas Coelho foi fazendo ao estado da Bahia. Diziam-lhe que ela tinha de escrever sobre aquela zona do Brasil também, que não podia ficar-se pelos relatos do Rio, e ela ouviu e assumiu o compromisso.

Não gostei tanto como gostei do Vai, Brasil, mas notei que há uma certa leveza nas crónicas de viagem do Brasil que é transversal aos dois livros. Mesmo que a política, as heranças coloniais e a análise sociocultural estejam sempre presentes, acho que senti uma distância diferente nestes textos. Para mim, este livro tem bossa nova como banda sonora e tenho de destacar o facto de mostrar algo do Brasil que não é tão comum. Ah, e definitivamente podia ter lido logo depois do primeiro. Era um bom seguimento.

Escola de finanças pessoais, de Andreia Melo e Tânia Matos

Primeiro, acumulei muitos livros sobre finanças pessoais. Agora, tomei como objetivo lê-los todos antes do fim do ano. Para ser sincera, como já me sinto num nível intermédio em relação ao tema, também estou investida em lê-los mais depressa porque tenho vários que já não me conseguem dar muitas dicas novas. No entanto continuam a ser boas leituras, como é o caso de Escola de finanças pessoais.

Este livro, das autoras do blog Contas em Dia, talvez seja um dos mais completos e interessantes para quem quer as noções principais para começar a orientar finanças. A escrita é apelativa, a estrutura ajuda e as explicações simplificam os passos principais para quem quer começar. Um ponto extra deste livro é que vai além dos orçamentos mensais, gestão de despesas e formas de pôr dinheiro a render e falam de algo fundamental e tantas vezes incompreendido: os impostos.

Dos livros sobre o tema que tenho lido, acho que é um dos melhores e mais completos, sem tentar ir por ideias milagrosas e sem tentar ser uma espécie de lição de moral em palestra de coaching. Gostei.

Sótão, de Madalena Sá Fernandes

Ao longo da história da ficção, os sótãos foram sempre um espaço retratado de forma muito peculiar. O lugar das coisas que queremos esquecer, o lugar das tralhas que ainda não queremos deitar fora, o lugar onde habitam mais teias de aranha por metro quadrado, o lugar das coisas que não queremos que os outros vejam. Nos thrillers há sempre um sótão onde acontecem coisas macabras, onde vivem as mulheres loucas. É parte de uma casa, mas nunca parece ter capacidade de se tornar um lar.

No seu terceiro livro, Madalena Sá Fernandes deixa as metáforas náuticas e atraca num sótão. O sótão é o lugar para onde vai viver depois do fim de uma relação, um lugar de transição, é certo, mas também é um lugar que a faz pensar nas representações literárias deste espaço. Com uma narrativa fragmentada, Sótão acompanha os dias da Madalena desde que chega ao sótão, com vários regressos a momentos específicos do passado.

Gosto muito da escrita da Madalena e tenho vindo a gostar cada vez mais de livros com este tipo de estrutura mais dividida, que altera o presente com momentos-chave do passado. Neste caso em específico, gostei particularmente da ligação subtil entre Sótão e Leme e das pequenas reflexões e histórias sobre a casa como um espaço nem sempre de segurança. O Leme toca muito essa ideia de que a casa pode ser um espaço de medo, onde as piores coisas podem acontecer. No Sótão a ideia de casa é diferente, primeiro parece quase uma necessidade (porque era preciso X…), mas depois é também um lugar de solidão, de algum recolhimento para lamber feridas e de reconstrução.

Esta forma de pensar o lugar casa interessa-me particularmente e, por isso, acho que não surpreendo ninguém ao dizer que sublinhei várias passagens e dei por mim e gatafunhar alguns pensamentos aleatórios durante a leitura. Como ponto menos positivo, senti que a escrita fragmentada por vezes tinha cortes muito vincados, algo de que não gosto tanto. Prefiro quando os fragmentos parecem surgir tão naturalmente que não questionamos a mudança de assunto ou a revelação sem continuidade. Ainda assim, no geral é um livro bastante bom, que coloca a Madalena como um dos bons exemplos deste tipo de literatura em Portugal.

Escrevo porque gosto de ganhar dinheiro, de Isra Bravo

Desde que Escrevo porque gosto de ganhar dinheiro saiu, em 2022, que o livro me ia aparecendo em várias listas de recomendações para quem trabalha em marketing, copywriting ou marketing de conteúdo como um livro essencial, fora de caixa, que ia mudar a forma de escrever nestas profissões. Venderam-mo bem e, por isso, há dois anos comprei-o numa promoção.

Baseado na experiência do espanhol Isra Bravo, este livro é um detalhe do método que o autor diz ter usado para conseguir uma série de trabalhos apenas com e-mail marketing agressivo e diferente do habitual.

Acabei este livro e pensei: ainda bem que o comprei com um desconto de 40%. Sinceramente, não sei se o autor é disruptivo ou se é só um bronco. Às vezes os conceitos confundem-se e, neste caso, embora perceba que foi ótimo ele sair da caixa para se divulgar e para vender os serviços de escrita, acho que as histórias que conta são de um bronco, de alguém que pode ser excelente no que faz, mas com quem não se quer passar assim tanto tempo. Tentámos, não é…

Leituras de junho

  • O país dos outros, de Leïla Slimani
  • Antologia poética, de Natália Correia
  • Tenha mais dinheiro na carteira, de Catarina Brandão
  • A invenção ocasional, de Elena Ferrante
  • Caderno de encargos sentimentais, de Inês Meneses
  • À flor da língua, de Gregório Duvivier
  • Como ter mais dinheiro, de Jana Couto
  • Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

O país dos outros, de Leïla Slimani

O país dos outros passa-se numa época habitual das minhas leituras — o pós-Segunda Guerra Mundial —, mas num cenário diferente: Marrocos. É para este país que Mathilde e Amine se mudam no final da guerra. Mathilde é francesa, nascida na Alsácia, e Amine é marroquino, combatente no exército francês durante a Guerra. Mais do que tentar construir as bases para a família que estão a criar, Mathilde percebe que a ida para Marrocos tem muito mais que se lhe diga.

O país dos outros é uma saga familiar, o primeiro de uma trilogia, inspirada na própria família da autora franco-marroquina, e a questão familiar atraiu-me logo. À medida que vamos conhecendo cada membro da família e percebendo as suas intenções e crenças, tece-se uma narrativa mais complexa para a história familiar, mas também para todo o panorama marroquino entre o fim da Segunda Guerra e a independência do país.

Gostei da escrita da autora e de como me fui sentindo mais próxima e mais distante em vários momentos da história. Não é um daqueles livros pelos quais podemos passar à pressa; a história pede-nos que nos demoremos, que prestemos atenção, que tentemos compreender para lá daquilo que nos é dito. Já escrevi sobre O país dos outros nesta publicação.

Antologia poética, de Natália Correia

A Natália Correia fascina-me e só por isso sabia que tinha de a incluir no meu desafio de poesia. Há uma aura diferente à volta desta escritora e tenho pena de que me tenha passado despercebida durante muitos anos. Claro que já tinha quesitonado os escritores e escritoras que realmente fazia sentido serem obrigatórios na escola, mas, mesmo percebendo alguns motivos, tinha sempre pena de nos escaparem tantos.

Antologia poética reúne a poesia da Natália e atravessa um período histórico particularmente importante para Portugal. Ao longo dos poemas vamos também acompanhando as mudanças e o que foi acontecendo antes, durante e depois do 25 de abril de 1974. A minha época preferida? A época em que a Natália foi deputada. Os poemas para os outros deputados são fenomenais. Precisávamos de valorizar mais o que ela fez. Sobre o livro, gostei muito, acho que estava a precisar de um livro assim para me animar depois de tantos livros de poesia de que não gostei particularmente. Falarei mais deste livro noutra altura.

Há uma vida, escrevi sobre a Natália Correia para o blog da Bertrand.

Tenha mais dinheiro na carteira, de Catarina Brandão

Continuando na onda de terminar os livros de finanças pessoais que tenho acumulado, principalmente estes que considero serem mais das bases necessárias para organizar a vida financeira. Na verdade, queria ter lido Tenha mais dinheiro na carteira há mais tempo, visto que a Catarina Brandão é a criadora do excel que uso para fazer o meu orçamento mensal e, por isso, já conhecia algumas das propostas dela em relação ao tema.

Neste caso, além de vários ensinamentos úteis para criar um orçamento mental, reduzir custos fixos e começar a poupar, a autora foca também instrumentos bancários para rentabilizar dinheiro, dos menos aos mais arriscados.

Começo a ter pouco que dizer sobre estes livros, eu sei, porque tenho várias opções dentro do mesmo género e que, sinceramente, acho que são sólidas e interessantes, por isso é quase dizer para escolherem um e lerem esse. Neste caso, não é dos mais completos para iniciantes, mas dá uma boa base.

A invenção ocasional, de Elena Ferrante

Se acho que estou a poupar os livros da Elena Ferrante porque ela não tem publicado? Acho, acho mesmo. Como, ainda assim, quero ir diminuindo a lista de livros por ler, escolhi um livro curtinho para ir intercalando com as leituras gigantes que tenho tido.

A invenção ocasional junta todas as crónicas escritas pela autora, ao longo de um ano, no jornal The Guardian. A particularidade? Os temas surgiram todos de questões que a redação do jornal enviou à Ferrante, a pedido dela.

Gosto mesmo muito da escrita da Elena Ferrante e gostei muito de a ler neste formato curto e mais pessoal, que permite uma proximidade diferente com a autora.

Caderno de encargos sentimentais, de Inês Meneses

A Inês Meneses é uma das vozes que mais me acompanha, por via dos seus vários podcasts, no entanto, à exceção do livro que deriva d’O amor é, nunca a tinha lido. As crónicas dela chegam-me sempre em áudio. Quando andava a explorar as prateleiras de uma livraria, em busca de algo que quisesse ler de imediato (e que me desse bilhetes para o Babell), cruzei-me com Caderno de encargos sentimentais e escolhi-o sem pensar demasiado sobre o assunto.

Primeiro, a ideia que tenho dos livros da Inês é que são mais do que livros — o design é tão trabalhado e pensado que as palavras e as características visuais habitam aquela obra com igual importância. Depois, claro, como a voz da Inês é tão marcante, é impossível lê-la sem sentir que se pode ouvi-la dizer aquelas palavras. Por fim, acho que a Inês tem uma forma muito própria e muito bonita de observar o mundo, o que torna cada texto uma experiência de leitura muito agradável. Ponto extra para a banda sonora incrível que acompanha os textos. Conto voltar aos livros da Inês em breve.

À flor da língua, de Gregório Duvivier

Não tinha ainda comprado o livro quando, em março, vi O céu da língua, o espetáculo do Gregório Duvivier que liga a este À flor da língua, mas depois do espetáculo tive logo vontade de o fazer. Como qualquer apaixonado por palavras, o Gregório escreve aqui pequenas crónicas sobre certas palavras. O humor está sempre presente, claro, mas também algo de que gosto particularmente: a vontade de ser totalmente nerd sobre palavras e debater significados, usos e até aquelas que soam melhor em voz alta.

É um livro interessante para ir lendo, com calma. Há muitos pontos em comum com o espetáculo, entre eles o encadeamento, mas são obras que vivem bem em separado também. É aquele livro particularmente interessante para quem escreve ou trabalha com palavras, mas que acaba por dar uma leitura interessante a qualquer pessoa.

Como ter mais dinheiro, de Jana Couto

Aquilo que dizia ali em cima, sobre Escola de finanças pessoais, foi algo que senti muito com este livro: tinha por ler vários livros que já não me conseguem dar muitas dicas novas. Não é que os livros não sejam bons (não é o caso), mas como já tenho bases consolidadas começo a precisar de partir para tópicos mais avançados… tanto que, quando terminei este livro, excluí logo outros três livros que tinha e que sabia serem apenas para dar bases de finanças pessoais.

É um livro interessante para começar, cobre os principais temas de forma descontraída e sem linguagem demasiado complicada. Como tenho lido muiiiitos autores sobre finanças pessoais, tenho pensado juntar algumas dicas e listar todos numa publicação. Muitos têm páginas de Instagram ou sites onde dá para perceber a forma como comunicam, por isso acaba por ser mais fácil perceber quais serão os que vão ter uma forma de explicar as coisas de maneira mais apelativa para nós.

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

Sempre soube que Cem Anos de Solidão seria um livro ao qual voltaria, mas voltar desta vez foi diferente do que imaginava. Ia dizendo que tinha de reler, agora com mais maturidade, mais mundo literário e mais mundo do realismo mágico do Gabo, mas adiava, convencida de que tinha de esperar pela altura certa. Acabei a relê-lo com a oficina da Bruna Martiolli e dei por mim a ver perspetivas sobre o livro que enriqueceram a minha (re)leitura e me deram a certeza de que hei de voltar outras vezes aos Buendía.

Quanto mais leio Gabo mais tenho a certeza de que há, na escrita dele, algo de realmente mágico, que nos transporta para universos onde tudo é possível e onde até a maior das solidões nos parece ser boa companhia.


E é isto que temos sobre as leituras de abril a junho, em que junho saiu claramente a ganhar: a Leïla Slimani, Elena Ferrante e Inês Meneses são os destaques óbvios destas leituras, a juntar à experiência tão bonita que foi reler Cem anos de solidão.

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