coisas que eu teria publicado este ano se ainda estivéssemos na blogosfera de 2012

O meu lugar preferido do mundo para estar é entre palavras.

Bem… entre palavras e entre o Douro e a Circunvalação.
Gosto de batons, de cães e de incluir referências a Taylor Swift em qualquer conversa. 

Sabe mais sobre mim aqui.

diário de sofia

Há uns dias, dei por mim a ler algumas publicações do meu primeiro blog. Eram outros tempos, outra vida, mas não deixei de achar graça ao facto de ter realmente escrito um blog na altura em que os blogs ainda tinham muito de diário. Aquele blog em particular acompanhou-me desde o 9.º ano até ao final do 2.º ano de universidade, consegue ir das preocupações com médias de secundário até aos exames de recurso para me licenciar no tempo previsto. Ao mesmo tempo, há muito na estrutura daquelas publicações que já não existe. Migrou para o Instagram, para o TikTok, para o feeddo Substack, mas felizmente já não se faz assim tanto. No entanto, enquanto lia aquelas publicações, pus-me a pensar em como escreveria muitos momentos do meu ano sobre os quais pensei escrever se ainda se usassem publicações curtas e sem grande sumo, só mesmo muito ego, muitas vibes de diário partilhado e pouca preocupação com o que estamos a colocar na internet. Bem, se ainda estivéssemos na blogosfera de 2012, acho que estes parágrafos teriam sido publicados.


5 janeiro 2026

Querido, não encontro casa (versão 2026)

Hoje comecei a procurar casa. Estou faaaaaaaarta de dividir casa. Na minha pesquisa há t0 e t1 e muita esperança de conseguir encontrar, até junho, algo que consiga pagar mesmo que não consiga apoios extra. A tarefa não me parece fácil, tendo em conta as primeiras horas passadas no Idealista, mas eu passei a dormir de tampões nesta casa. Acho que isso chega como motivação. Pray for me e se virem apartamentos decentes a preços decentes neste belo concelho avisem.


8 janeiro 2026

Não tinha uma crise de ansiedade há muito tempo

Mas hoje tive e dei por mim no chão da cozinha a tentar lembrar-me daquela cena dos 5 sentidos. Como vês ainda não me lembro, por isso é que lhe chamo cena dos 5 sentidos. Lembrei-me de que tinha algo a ver com tocar em algo e foi ótimo porque o chão frio da cozinha pareceu-me algo bom para tocar e tentar lembrar-me de que é só um serviço de merda para privilegiados e que não vou morrer por causa deste serviço e que se foda não estou realmente a sair-me bem aqui e se calhar foi um erro escolher este projeto, devia ter ido para aquele que exigia menos, mas agora deve ser tarde para mudar, mas se calhar é melhor pensar em mudar. E no meio disto já chorei tanto hoje que estou a escrever isto com aquele tipo de dor de cabeça que só vem quando não só chorámos muito como tivemos uma crise de ansiedade. Foda-se.


18 janeiro 2026

Votei no Porto!

Fui votar no Porto, como portuense, life is full and complete! Saí do local de voto a achar mesmo que é uma sorte do caraças viver nesta cidade. Fossem todas as eleições assim.


12 fevereiro 2026

Cheguei a casa e tinha um guarda-chuva aberto no meio da sala

É isso, é só isso que tenho a dizer. Se me conseguirem explicar estejam à vontade.


6 março 2026

Tirei o aparelho, finalmente!!!

Adeus, dores. Adeus, comida que não como porque não dá jeito comer. Adeus, comida que tenho medo de comer porque tenho medo de que me salte um bracket. Adeus, comida que me irrita comer porque fica presa no aparelho. Adeus, não comer esparguete. Adeus, não comer maçã à dentada. Milhares de euros, mas pelos menos os meus dentes estão lindos neste momento.


8 março 2026

Fui convidada para ir falar do Desengatados, ‘tá tudo louco

Do nada, chego ao e-mail do blog e tenho um convite para ser oradora numas Jornadas de Psicologia em Penafiel. O motivo? O Desengatados existe e alguém leu e achou que eu era a pessoa certa para ir falar de relações no digital. A vida às vezes é um bocado aleatória, não é? Wtf. Mas disse que sim, óbvio.


12 março 2026

Note to self (revisão do carro edition)

Lembrem-me de, em 2027, ter mais dinheiro de parte para a revisão do carro do que tinha este ano. Está bem que fui buscar ao fundo de emergência e é ótimo ter um fundo de emergência onde ir buscar dinheiro para revisões do carro, mas porra que estas revisões andam caras. Ugh.


23 abril 2026

Como explicar que abril deu cabo de mim e ainda nem acabou?

Passei a primeira semana do mês doente. Não sei com quê, mas doente, a fazer um esforço sobrenatural para conseguir trabalhar, a passar super mal as noites, com dores de estômago. Sinto-me cada vez mais ansiosa em casa e não está fácil conseguir controlar essa sensação. Depois tive de ir dois dias para Lisboa por causa do trabalho e, sendo sincera, isso não só me conseguiu deixar mais exausta para o resto desse semana como sinto que nunca mais vou recuperar a energia perdida este mês e nunca mais vou recuperar e odeio tudo.


1 maio 2026

Vou mudar de casa, vou mudar de casa!

Consegui! Fiquei com a casa de que gostei! Vou viver sozinha! Vou mudar-me para a outra ponta da cidade! Vou viver num 4.º andar sem elevador! Vou parar de usar pontos de exclamação!


7 maio 2026

Não escrevo há mais de um mês e está tudo fixe. ou não. sei lá.

Não escrevo, fora de trabalho, desde 2 de abril. Mal tenho lido. Voltei a ver séries à noite porque não tenho cabeça para mais. Não me preocupo em tentar escrever. Não me quero cobrar com o que acho que devia estar a fazer. Só quero ir comprar uma esfregona fixe e um dia há-de voltar. O que importa é que consegui a casa que queria e vou mudar de casa.


20 maio 2026

Sem querer, arrendei a melhor vista para pores-do-sol

E agora tiro fotos todos os dias e dou por mim emocionada a olhar pela janela. A vida às vezes presta.


21 julho 2026

Hoje chorei na avenida da Boavista

Quando este assunto surgiu, senti-me tremendamente sozinha. Hoje não me senti tão sozinha, mas, quando caminhava em direção ao carro, desatei num pranto que só não foi profundamente embaraçoso porque estava de óculos de sol. Já tive medo muitas vezes, mas não tantas como naqueles minutos em que tive de olhar para as luzes no tecto e aceitar a conversa da treta para distração. Pensei que devia ter pedido para alguém estar aqui comigo, acalmar os nervos, dar a mão, distração. Mas não pedi por essa é quando estou a percorrer os 500 metros que me separam do carro que as lágrimas saem, aumentando de frequência enquanto lhe escrevo o relato do que acabou de acontecer nesta tarde aleatória. Continuo com medo, mas menos um bocadinho.


15 agosto 2026

Até quando vais escrever na internet? E fora dela?

Adoro trabalhar com palavras. Adoro ter de dar palavras aos serviços mais aborrecidos. Adoro perceber como a palavra certa dá ou tira impacto ao que queremos dizer. Quero ser cada vez melhor nisto de trabalhar com palavras, estudar UX Writing, ler tudo o que há para ler sobre trabalhar com conteúdo, storytellingcopy.

Só que, por estes meses, tenho pensado se ainda adoro escrever para lá do trabalho. Se ainda me apetece escrever. Se ainda vou escrever. Passou-me pela cabeça, há umas semanas, que provavelmente nunca mais vou escrever um livro e essa constatação não doeu tanto quanto achei que poderia doer. Mas também me passou pela cabeça que este ano foi a primeira vez que contemplei deixar de escrever na internet sem ser de forma dramática, apenas porque não sei realmente que papel quero ter aqui.

Já não é 2012, há tanto que já não faz sentido se partilhar na internet, mas não é só isso. Se passar o dia rodeada de palavras, muitas vezes escolho terminar o dia a ver séries ou podcasts. Não sinto a urgência de escrita que senti durante anos. Não me apetece seguir a fórmula que vejo um pouco por todo o lado, mas também não tenho uma fórmula que me apeteça seguir. De acordo com mil regras universais de centenas de escritores não posso sequer ousar pensar em mim como escritora só por dizer isto que acabei de dizer.

Mas a verdade é que acho que a nossa escrita muda quando nós mudamos e o último ano, ou talvez mais, tem sido um ano de mudança e antes eu precisava de ter a escrita a acompanhar a mudança. Agora tenho tentado dar-lhe uma folga. Descobrir se voltamos ou não. Não é que não queira escrever ou não tenha o que escrever, porque tenho, é mesmo saber que houve muito que mudou e eu ainda estou a construir a vida e a pessoa que quero ser depois de todas estas mudanças. Está tudo bem já não ler quase nada do que sigo porque deixei de me identificar, está tudo bem em não saber se quero continuar a ter um Substack porque não sei com o que raio o quero alimentar e prefiro um blog mesmo. Está tudo bem em ir publicando a meio gás, quando apetece. Está tudo bem em deixar de lado o conteúdo online. Está tudo bem se não quiser escrever agora. Ou nunca mais.

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